17.11.01

Acho que não gosto esse negócio de "fantasia" (como em Harry Potter, Tolkien e Dungeons & Dragons). Ou, melhor, não me empolga. O filme já está aí e não consigo me interessar o suficiente para ler O Senhor dos Anéis. Além disso, achei o primeiro livro do Potter, extremamente sem graça (tirando as jujubas de todos os sabores). Claro que vou ver os filmes, mas eu assisti até Legalmente Loira. (RSF)

16.11.01

Você já assistiu um filme pornô, não assistiu? E um desenho japonês? Não Pokémon, mas alguma coisa mais despropositada, como Sailor Moon, Ranma ou Tenchi; coisas com elementos fantásticos, mas que ao mesmo tempo tentam convencer você que não há nada demais acontecendo. Entendeu a relação?

Agora imagine assistir o cruzamento dos dois por oito horas seguidas. Pelo menos os "diálogos" são mais criativos que "Yes! Fuck me baby!" (RSF)

15.11.01

Hoje vi em um dos canais universitários, uma professora de língua portuguesa respondendo à velha pergunta: "o português de Portugal e o do Brasil vão se tornar línguas diferentes?" A reposta dela - "sim" - me deixou espantado. Nem tanto pelo sim, mas por supor um percurso para o português semelhante ao que o latim percorreu até se dividir em um monte de línguas. A mulher parecia ignorar a velocidade com que as palavras de diferentes idiomas se espalham e se misturam, seja por eventos mundiais ou influências mais sinistras.

Ainda bem que eu não estudo lá. (RSF)
A lua do Ramadan
Acaba de aparecer.
Amanhã o sol banhará
Uma cidade silente.

Os vinhos dormirão quietos
Em suas urnas, e à sombra
Dos bosques repousarão
Tranqüilas as raparigas.
Omar Khayyam, comentando os acontecimentos recentes, na tradução de Manuel Bandeira para o Rubaiyat.

14.11.01

Não é bem uma leitura do dia, mas uma ferramenta de uso constante. O Bartleby é um site que coleciona diversas obras de referência em língua inglesa, inclusive o dicionário de literatura do mesmo nome.

Ainda não achei nada parecido em português, mas os dicionários da Porto Editora vão quebrando o galho. (RSF)
Some Thoughts on Clint Eastwood and Heidegger. Se o título não chamou sua atenção, é meu comentário que vai chamar? (RSF)
E eu que achava que minha namorada era a única pessoa que se divertia com spam. (RSF)
I do think that as long as the American people want to win this war, the tactical mistakes don't really matter that much. If you're absolutely determined to build a house, in the long run it won't matter if you used the wrong kind of nails by mistake. You'll just pull them out and start over.
Tem gente que não entende nunca. Jonah Goldberg - editor da revista direitista National Reviewque escreveu o texto de onde saiu este trecho - deve ser um desses. (RSF)

13.11.01

Se as idéias malucas que tem aparecido fossem verdadeiras, essa guerra ia ser bem mais legal que a de 1941. (RSF)
If you write one well-reviewed, well-respected, not bad selling, but not a bestseller list book every three years, which you sell for a whopping 30,000 pounds, that's still going to average out to 10,000 pounds a year and you will make more managing a McDonald's. With overtime you'd probably make more working in a McDonald's.
Neil Gaiman, em uma entrevista muito boa. Entre outras coisas, ele esclarece a confusão de identidades entre dois meninos magos, um bem mais famoso.

E é impressão minha ou ele está a cara do Bob Dylan? (RSF
Estou mudando de e-mail de rsilver@e-net.com.br para rodolfosfilho@terra.com.br. O e-mail antigo funcionará até o dia 20.11. (RSF)

12.11.01

Dia de Gibi Novo: Video Girl Ai e Sin City Especial - Apenas Outra Noite de Sábado

Muito perigosos essas revistinhas japonesas. Fofinhas, pequenininhas, baratinhas (R$2,90, 95 páginas) e com um monte diferente nas bancas. Eu que não queria ir com uma criança até uma banca bem estocada desses mangazinhos.

Video Girl até é divertida, mas me apela menos que Sakura - justamente por ser um pouco mais "adulta". É uma daquelas histórias de poligonos amorosos: um cara gosta de uma menina, que gosta do amigo dele. Depois de um fora, o cara encontra uma locadora onde só podem entrar os puros de coração (sério), aluga uma fita semi-pornô e vai para casa assistir. O vídeo dá um pau e sai uma menina - a Video Girl Ai - que tem como objetivo consolá-lo. Obviamente, ele não quer nada com Ai, que resolve dar uma força para conquistar a menina que ele gosta.

Não vi muita graça, achei meio sentimentalóide. Esperava algo mais engraçado. E a arte é muito escura para a qualidade do papel.

Em compensação, Sin City não é nem baratinha, nem tem todo o dia e muito menos é bonitinha. Mas a arte e os roteiros de Miller são excelentes, algo que percorre sem problemas a linha entre o noir e o pulp. Acho que demorei uns cinco minutos para ler, e mesmo assim os R$5,50 valeram. De brinde, uma galeria de pin-ups feitos por artistas brasileiros, todos muito bons. (RSF)
Terminei outro dia a segunda parte de Do Inferno. Não decepciona, depois dos fantásticos capítulos de abertura. Infelizmente, agora vou ter que esperar o resto ser publicado. Tenho a impressão - que não posso confirmar, já que emprestei o primeiro volume - que a edição (capa, papel, encadernação) é pior que a do anterior.

A maçonaria tem um papel importante - o de vilão - em Do Inferno. Com o filme, alguns maçons ficaram preocupados com os prejuízos a sua imagem. Os quadrinhos eram menos preocupantes, por conta do público reduzido e do apêndice explicando o que é realidade os motivos de determinadas escolhas.

Por sinal, vi o trailer do filme. Não empolgou, mas vou ver de qualquer jeito. (RSF)

9.11.01

Acho que jogo menos de cem horas de videogames por ano. Mesmo assim não deixo de ficar interessado quando aparecem novos consoles, jogos com abordagens diferentes ou novas aplicações para a tecnologia desenvolvida para os jogos. Apesar de me interessar muito pela forma, acho que os jogos aproveitam muito menos do que poderiam as possibilidades técnicas e conceituais. (RSF)
Encontrei uma revista sobre quadrinhos muito boa esses dias, a Borderline. A revista é uma revista eletrônica, não um site: é preciso baixar o arquivo contendo as páginas da revista toda. Pode demorar, mas vale a pena.

Até agora, eu baixei os números 3 e 4. A abordagem é bem diferente de uma Wizard, por exemplo e os textos em geral são muito bons, tanto as colunas quanto as matérias.a cobertura é bem variada,com boas matérias sobre quadrinhos europeus e japoneses, fanzines, quadrinhos independentes e super-heróis, além de bons textos sobre Ziraldo e Maurício de Souza.

A qualidade e quantidade das imagens justifica baixar a versão em alta resolução, que tem quase quatro vezes o tamanho da outra. (RSF)
A Lingua Franca - revista dedicada ao meio acadêmico americano e uma excelente leitura - foi cancelada. Ninguém sabe bem os motivos, mas parece que o editor do melhor weblog que conheço tem algum papel muito feio na história. O caso é complicado. (RSF)
Ernst Gombrich - crítico e teórico de arte e autor de Arte e Ilusão e Uma História da Arte - morreu no último sábado. (RSF)

8.11.01

Mais um pequeno passo na minha tentativa de dominação mundial

Entrou ontem no ar a primeira edição da Esquadrinhando - uma coluna sobre quadrinhos no Omelete. Nela, eu pretendo tratar principalmente da quase inexistência da crítica de hq.

O primeiro artigo é Watchmen: melhor em quê?. A coluna deve ser quinzenal e já tenho mais duas escritas. Assim não acontece igual ao Desmontando, que mal começou e já atrasou uma semana. Deve entrar no ar amanhã à noite, depois que eu revisar algumas coisas. (RSF)
A Revolução Francesa, na qual os revolucionários tomaram o poder pela força e logo trocaram todos os cadeados de todos os palácios para que os nobres não pudessem entrar. Em seguida fizeram uma baita festa e guilhotinaram-se uns aos outros. Quando os nobres finalmente recapturaram os palácios tiveram que fazer uma reforma geral, devido ao excesso de manchas nas paredes e tocos de cigarro pelo chão
Woody Allen, num Guia Breve, Porém Útil, à Desobediência Civil. Esse e outros textos fundamentais para a vida moderna podem ser encontrados no volume Sem Plumas. (RSF)
Dia de Gibi Novo: New X-Men 116 e New X-Men Annual 2001

Não é segredo que - deixando de lado uns seis meses de minha vida - eu nunca liguei muito para os X-Men. A série tinha bons momentos, mas nunca escolheu de fato entre ser um filme de ação ou algo que falasse de alguma coisa. As histórias normalmente lidavam com algum mutante do passado ressurgindo e querendo vingança. Enquanto isso, de vez em quando alguém falava alguma coisa sobre o "sonho de Xavier" da coexistência pacífica de humanos e mutantes.

Finalmente os X-Men estão no rumo certo. Morrison repete a abordagem que empregou na sua JLA: encontrar o que define a série e trabalhar em cima disso, jogando todo o resto fora. No caso da Liga, os maiores heróis lutando contra as maiores ameaças. Já os X-Men se tornaram as tropas de uma espécie de ONU mutante. Nas quatro edições que eu li, a abordagem está dando ótimos resultados.

Até o momento, os X-Men abandonaram as identidades secretas, criaram uma organização ( a X-Corps) de proteção aos mutantes com escritórios em todo o mundo, destruíram um dos seus aviões de combate, fizeram eutanásia, enfrentaram traficantes de órgãos de mutantes, impediram um micro-sol de cometer suicídio e executaram (já que não conseguiam conter) a responsável pela morte de dezesseis milhões de pessoas.

Morrison diz que seus X-Men são pacifistas e - se o título se mantiver nessa linha - é verdade. Uma das maiores falhas dos quadrinhos de super-heróis e grande parte das ficções orientadas para a ação é o uso da violência como única forma de resolver os conflitos. Apesar da idéia de heróis pacifistas já ter sido utilizada antes, é inegável que nunca tiveram tanta visibilidade.

E - para completar - Jean Grey e Emma Frost nunca estiveram tão bonitas. (RSF)